Como clientes pesquisam empresas: a nova jornada de compra em 2026

como clientes pesquisam empresas

Como clientes pesquisam empresas está mudando. Uma jornada que antes poderia começar com algumas palavras digitadas no Google agora também pode envolver uma pergunta ao ChatGPT, uma resposta gerada por IA, avaliações, redes sociais, vídeos e diferentes fontes consultadas antes mesmo do primeiro contato com uma marca.

Isso não significa que o Google deixou de ser relevante ou que o SEO perdeu sua função. Pelo contrário. A busca continua sendo uma etapa importante da jornada, mas ganhou novas camadas.

Para as empresas, a mudança traz uma questão estratégica: ser encontrado já não depende apenas de aparecer para uma palavra-chave. É preciso construir uma presença digital que ajude pessoas e sistemas de IA a compreender quem é sua empresa, sobre o que ela tem autoridade e por que pode ser considerada confiável.

A busca está ficando mais conversacional. Pense na diferença entre estas duas pesquisas:

“clínica de cardiologia Salvador”

e:

“Qual clínica de cardiologia em Salvador tem boa reputação, realiza exames no mesmo local e atende meu convênio?”

A intenção pode ser semelhante. A forma de pesquisar, não.

Com as ferramentas de inteligência artificial e as novas experiências dos próprios mecanismos de busca, o usuário pode explicar melhor sua necessidade, acrescentar critérios e fazer novas perguntas até chegar a uma decisão.

Dados divulgados pelo Google em seu blog oficial ajudam a dimensionar essa transformação. Em maio de 2026, a empresa informou que o AI Mode havia ultrapassado 1 bilhão de usuários ativos mensais globalmente. Em uma análise específica do comportamento dos usuários nos Estados Unidos, o Google identificou que as pesquisas realizadas no AI Mode tinham, em média, três vezes o tamanho das buscas tradicionais e que consultas relacionadas a planejamento e tomada de decisão estavam crescendo.

Ou seja, não estamos apenas digitando em outro lugar. Estamos aprendendo a pesquisar de outra maneira.

A jornada de compra deixou de caber em uma única busca

Durante muito tempo, era relativamente simples imaginar uma jornada digital:

pesquisa → resultados do Google → site → contato

Hoje, esse percurso pode ter muito mais combinações.

Uma pessoa pode descobrir uma empresa no Instagram, pesquisar seu nome no Google, conferir avaliações, perguntar sobre alternativas a uma IA, assistir a um vídeo e voltar ao site somente quando estiver mais próxima de tomar uma decisão.

Em outros casos, a própria jornada começa na IA. Isso significa que uma empresa precisa pensar menos em “qual canal trouxe esse consumidor?” como única pergunta e mais em “quais informações e sinais ajudaram esse consumidor a confiar na nossa empresa?”

SEO continua importante. Mas agora precisamos falar também de GEO

SEO, ou Search Engine Optimization, reúne estratégias para aumentar a relevância e a visibilidade de conteúdos nos mecanismos de busca.

O GEO, ou Generative Engine Optimization, acrescenta outra preocupação: como tornar uma marca e seus conteúdos compreensíveis e relevantes também em ambientes de busca e resposta mediados por inteligência artificial.

Uma estratégia não anula a outra. Na realidade, muitos dos fundamentos se encontram: conteúdo útil, informações claras, autoridade, boa estrutura digital e capacidade de responder às dúvidas reais das pessoas continuam importantes.

O próprio Google reforça a conexão com a web em suas experiências de IA. Em junho de 2026, a empresa informou que o AI Overviews já alcançava mais de 2,5 bilhões de usuários ativos mensais e anunciou novos recursos para que proprietários de sites acompanhem e gerenciem melhor sua presença nas experiências generativas da Busca.

Por isso, dizer que “SEO morreu” porque as pessoas passaram a utilizar IA é uma simplificação. O que está acontecendo é uma ampliação do ambiente de busca. Essa mudança também altera a maneira como uma empresa deve pensar sua presença digital.

Durante muito tempo, boa parte da estratégia de busca esteve concentrada em aparecer para determinadas palavras-chave. Isso continua importante, mas já não resume o desafio.

Neste vídeo da 2L, mostramos como essa transformação muda a lógica de ser encontrado:

Quando alguém pergunta a uma inteligência artificial qual empresa, clínica ou profissional pode atender determinada necessidade, a resposta pode envolver diferentes informações e fontes.

A discussão, portanto, deixa de ser apenas:

“Para qual palavra-chave minha empresa aparece?”

e passa também por:

“Sobre quais assuntos minha empresa demonstra relevância e confiança?”

Essa evolução já vinha acontecendo no próprio SEO. No artigo Por quê o Google ama o conteúdo que as pessoas amam: o novo SEO focado no usuário, mostramos por que compreender a intenção de busca e produzir conteúdo realmente útil se tornou mais importante do que simplesmente repetir palavras-chave.

Com a IA, essa lógica ganha ainda mais importância.

O que faz uma empresa ser encontrada e considerada?

Não existe um botão capaz de fazer uma empresa aparecer em todas as respostas das ferramentas de IA.

O que existe é a construção de uma presença digital consistente.

Isso envolve sinais como:

  • posicionamento claro;

  • site bem estruturado e atualizado;

  • conteúdos relevantes sobre os temas relacionados ao negócio;

  • informações consistentes em diferentes canais;

  • avaliações e reputação;

  • presença em fontes que ajudem a demonstrar autoridade;

  • conteúdos capazes de responder dúvidas reais dos clientes.

O ponto central é a coerência.

Se o site diz uma coisa, o perfil da empresa no Google apresenta informações desatualizadas e as redes sociais comunicam outra proposta, a presença digital fica fragmentada.

Da mesma forma, uma empresa pode dizer que é especialista em determinado assunto, mas oferecer poucos conteúdos e informações que sustentem essa associação.

Em um ambiente no qual pessoas e sistemas consultam diferentes fontes, consistência ganha ainda mais valor.

Como preparar sua empresa para essa nova jornada?

Não é necessário abandonar o que já funciona para começar uma estratégia completamente nova.

O primeiro passo é avaliar a base:

Seu posicionamento está claro?
É fácil entender o que sua empresa faz, para quem e quais problemas resolve?

Seu site responde às dúvidas dos clientes?
Ou funciona apenas como uma apresentação institucional?

Sua empresa produz conteúdo sobre os temas pelos quais deseja ser reconhecida?

As informações estão atualizadas e consistentes nos diferentes canais?

Existem sinais de confiança?
Avaliações, reputação, conteúdos, presença digital e autoridade ajudam a reduzir a incerteza antes da decisão.

Você continua investindo em SEO?
A chegada da IA não elimina a necessidade de uma base digital tecnicamente bem estruturada e de conteúdo orientado à intenção de busca.

Essas perguntas ajudam a transformar GEO de uma sigla da moda em uma discussão concreta sobre presença digital.

Ser encontrado é apenas uma parte da nova jornada

Entender como clientes pesquisam empresas em 2026 exige abandonar a ideia de que existe um único caminho entre descoberta e compra.

Google, ferramentas de IA, redes sociais, avaliações, vídeos, sites e outras fontes podem participar da mesma decisão.

Para as empresas, isso amplia o desafio. Mas também amplia as oportunidades de construir confiança antes mesmo do primeiro contato.

Na 2L, entendemos que essa transformação não deve ser tratada como uma corrida para “aparecer no ChatGPT”. SEO, GEO, conteúdo e inteligência artificial precisam estar conectados a algo anterior: um posicionamento claro e uma presença digital capaz de sustentar aquilo que a empresa deseja representar no mercado.

A tecnologia muda a forma como as pessoas encontram respostas. Mas a lógica de negócio permanece: para ser considerado durante uma decisão, primeiro é preciso construir motivos para ser encontrado, compreendido e lembrado.

E essa construção começa muito antes de alguém perguntar à IA qual empresa escolher.

Foto de Lise Botelho

Lise Botelho

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